Flávio ganha espaço na seleção e não teme pressão: “Ninguém é insubstituível”

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Aos 26 anos, Flávio disputa a primeira Liga das Nações da carreira (Fotos: Divulgação/FIVB)

 

Por Vanessa Kiyan*
13 de junho de 2019

 

Dentro da renovação promovida pelo técnico Renan Dal Zotto na seleção que disputa a Liga das Nações, o central Flávio Gualberto é um dos jogadores que tem aproveitado melhor as oportunidades. Na última etapa, disputada em Tóquio (JAP), o atacante de 1,99m se saiu bem contra o Japão, quando foi escalado no time titular, e teve boas participações diante do Irã e da Argentina. Também se destacou na primeira semana.

Apesar de ser sua primeira grande experiência no time principal do Brasil, Flávio tem se mostrado bem à vontade em quadra. Já são 41 pontos marcados, números que fazem dele o quarto maior pontuador brasileiro na edição 2019. No bloqueio, vai melhor ainda: é o sétimo melhor atleta no fundamento, à frente de qualquer outro colega de seleção.

Cria do Minas, clube que defendeu por 11 anos, o atacante tem como maior referência o ex-central Gustavo Endres, primeiro atleta que viu jogar na posição de meio de rede.

“Ele sempre foi uma inspiração. Me identifiquei com ele, principalmente pelo posicionamento de bloqueio e a tática que ele tinha em relação a esse fundamento. Era um jogador que estudava muito. Pelo que sei – não convivi com ele e nunca tive a oportunidade de conversar -, ele sempre foi dedicado aos estudos e sempre se destacou no meio de rede.”

 

Flávio defendeu a camisa do Minas por 11 anos

 

Com o campeão olímpico, aprendeu que era preciso estudar muito os adversários para se tornar um bloqueador cada vez melhor. Por isso, sempre antes de cada jogo, tira um tempo para analisar vídeos dos oponentes. E não estuda apenas os atacantes que vai precisar marcar. Flávio gosta também de observar os levantadores que vai enfrentar.

“Tento aproveitar o máximo possível para analisar gestos de movimento, incidência de ataque, estatística de levantamento, prioridades, tento captar o máximo de informações que for possível para esse estudo me ajudar quando eu jogar”, diz ele, que já soma 13 pontos de bloqueio nesta Liga das Nações.

 

 

Além de Gustavo, que fez parte da geração mais vitoriosa do voleibol masculino do Brasil, a seleção teve outros grandes ídolos na posição. Nos anos 1980 e 1990, surgiram nomes como Amauri, Carlão e Paulão. Na sequência, apareceram André Heller, Rodrigão, Gustavo e Lucão. Ocupar o mesmo lugar de outros atletas que marcaram época, segundo Flávio, não lhe traz nenhum tipo de pressão.

“Pressão não, porque ninguém é insubstituível. Não tem como nascer um novo Amauri ou qualquer um desses. Cada um tem suas características individuais e isso agrega no coletivo. Eu tento minimizar ao máximo qualquer pressão que possa vir e tento encarar essa situação de uma forma que não atrapalhe o meu rendimento”, explica o jogador.

Em busca da evolução dentro da equipe nacional, o jogador de 26 anos diz que o saque é seu calcanhar de Aquiles. Na Liga das Nações, em seis jogos realizados até aqui na fase classificatória, o atacante registra uma média de 0,12 ponto por set. É apenas o 81° colocado nas estatísticas do fundamento. No entanto, várias vezes quebrou o passe adversário, demonstrando avanço nesse aspecto.

 

Central é o quarto maior pontuador do Brasil na competição

 

No geral, porém, a avaliação é positiva sobre sua primeira grande experiência na seleção. “Eu tive uma oportunidade que encarei como um grande desafio. Acho que fui bem, e é difícil jogar nesse nível. Mas acho que eu me saio bem em uma situação como essa. Jogar em um alto nível como esse te exige mais, faz com que a concentração esteja sempre lá em cima.”

Nesta sexta-feira (14), o atleta vai ter mais uma chance de vestir a camisa amarela. A partir das 14 horas (de Brasília), o Brasil mede forças com a Sérvia, em Portugal. Pela Semana 3 da Liga das Nações, encara ainda a China e, no encerramento da etapa, os donos da casa. Líderes da primeira fase, os brasileiros são os únicos invictos da edição 2019, com seis vitórias.

 

*Colaborou Sidrônio Henrique

 

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