Nizetich: “O grande objetivo é Tóquio-2020”

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Argentina, de Nizetich, é a próxima adversária do Brasil na Copa do Mundo (Fotos: Divulgação/FIVB)

 

Por Sidrônio Henrique
14 de setembro de 2019

 

Ela voltou e sonha com dias melhores para o voleibol feminino da Argentina. Yamila Nizetich, 30 anos, é o principal nome do adversário do Brasil na madrugada deste domingo (15). A ponteira de 1,81m é exemplo para suas colegas e a maior referência entre as jogadoras argentinas desde Carolina Costagrande, ex-ponta/oposta que acabaria se naturalizando italiana na década passada.

“Estou muito feliz em fazer parte da seleção novamente. O grande objetivo é se classificar para Tóquio-2020. Ainda há tempo para se preparar, mas temos que estar conscientes das dificuldades. É preciso lapidar a equipe, polir o nosso vôlei para chegar ao Pré-Olímpico, em janeiro, da melhor maneira”, disse Nizetich ao Saque Viagem.

A meta é superar as regionalmente badaladas colombianas e também as menos cotadas peruanas, na disputa por uma vaga olímpica, em um qualificatório que terá ainda a Venezuela – a sede do torneio ainda não foi definida pela Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV). Ela, que está na seleção adulta desde 2008, integrou o time que competiu na Rio-2016, estreia do vôlei feminino argentino nos Jogos Olímpicos – ganharam apenas de Camarões, por 3 a 2.

 

A ponteira chora após a eliminação da Argentina na Rio-2016

 

DESENTENDIMENTO
Depois de se desentender com o antigo treinador da seleção, Guillermo Orduna, por criticar seus métodos, a ponta acabou sendo cortada e não participou do Mundial 2018. O técnico Hernan Ferraro assumiu o posto em 2019 e ela retornou, mas não quer falar do passado. Só se for da carreira nos clubes. Na temporada 2018/19, pelo Novara, mesmo na condição de reserva, comemorou os títulos da Copa Itália e da Champions League, além do vice na liga italiana. Seguirá naquele país no período 2019/20, mas desta vez pelo Cuneo, eliminado nas quartas de final do último Campeonato Italiano.

Pela seleção, o caminho este ano incluiu uma inédita medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos. A Argentina bateu duas vezes em sets diretos uma desentrosada equipe alternativa do Brasil, na qual somente a levantadora Macris havia sido titular na Liga das Nações e no Pré-Olímpico, enquanto outras sequer estavam entre as suplentes nesses torneios.

 

Nizetich, aqui ao lado da levantadora Victoria Mayer, conquistou a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima

 

CONSCIENTE
Apesar de celebrar a conquista, Nizetich manteve os pés no chão, ciente de que há uma grande diferença entre sua seleção e potências como Brasil e Estados Unidos, que foram ao evento em Lima, no Peru, com formações bem distantes das suas principais. “Ainda falta muito para chegarmos ao nível das grandes seleções”, admitiu.

Ela não participou do Campeonato Sul-Americano, disputado em Cajamarca, também no Peru, em que uma Argentina B ficou em quarto lugar. As titulares permaneceram em Buenos Aires, treinando para a Copa do Mundo.

Nessa programação voltada para janeiro, a atual competição no Japão entra como uma preparação de luxo, que suas adversárias diretas na corrida para Tóquio-2020 não terão. Na estreia, diante da Holanda, derrota por 3 a 0, com uma atuação apagada de Nizetich – marcou minguados sete pontos, virando apenas seis em 27 tentativas no ataque. Mas num torneio longo, com outros 10 jogos, haverá chance de mostrar um desempenho superior, ainda que muitas derrotas sejam prováveis. A Argentina enfrenta o Brasil logo mais, às 5h (horário de Brasília) deste domingo, com transmissão do SporTV 2.

 

A Argentina estreou na Copa do Mundo 2019 com derrota para a Holanda

 

Confira outros trechos do bate-papo com Yamila Nizetich:

 

EVOLUÇÃO DO VÔLEI FEMININO ARGENTINO
“Sem dúvida, avançamos. Porém, ainda falta muito para chegarmos ao nível das grandes seleções, basta olhar como é a liga argentina. As principais jogadoras vão para o exterior, que é o meu caso. Eu mesmo as incentivo a buscar campeonatos mais fortes e que, ao servirem à seleção, possam colocar em prática o que aprenderam.”

 

MAIORES DEFICIÊNCIAS
“Um pouco de tudo… A parte técnica, tática, física. Quando fazemos uma comparação da realidade argentina, por exemplo, com as atletas que jogam na liga italiana: as que estão lá são mais fortes fisicamente, tecnicamente melhores, até mesmo mentalmente são mais fortes. Isso envolve tudo. Então temos que pensar na parte técnica e também no aspecto físico, começando desde a alimentação. Mas principalmente tem que ser profissionais. Lá fora as meninas já começam sendo profissionais porque o ambiente proporciona isso e desde pequenas, quando decidem ser jogadoras de voleibol, esse é o caminho a ser seguido.

 

 

Na Argentina falta esse profissionalismo, que a liga seja mais forte. É preciso que o campeonato seja mais longo, mais competitivo. Que as atletas cobrem dinheiro, que afinal é um incentivo. Claro que cada uma deve traçar seus objetivos, como se aprimorar fisicamente e tecnicamente, isso é também uma questão individual.”

 

OFERTAS DO BRASIL
“Tive algumas ofertas (sem dizer o clube) do Brasil, mas meu marido tinha uma proposta de trabalho na Europa e nós queríamos ficar juntos, esse foi o principal motivo. Claro, o time europeu ofereceu mais. No entanto, gostaria muito de um dia jogar na Superliga e estou aberta a qualquer proposta. Agora, a liga italiana é a melhor do mundo e pretendo seguir ali por mais algum tempo.”

 

Nizetich joga na liga italiana desde 2017 (Foto: Legavolley Femminile/Divulgação)

 

ARGENTINAS NAS GRANDES LIGAS
“Sem dúvida, mas isso depende também do desempenho da seleção. Se a Argentina vai bem nos torneios, se consegue se destacar, isso chama a atenção. Eu estou na Itália e gostaria de ver mais argentinas por lá. Se a seleção rende bem, os clubes começam a se perguntar, ‘quem é essa ponta? Quem é essa central?’”

 

RENOVAÇÃO
“Eu gosto muito dessa mistura entre as mais experientes, como eu e algumas outras, e as novatas. Tem que haver renovação e o técnico Hernan Ferraro está fazendo isso. Um dia vai chegar minha hora de sair e que venham as mais novas.”

 

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