Análise: As 5 surpresas e as 5 decepções da Rio-2016

Por Saque Viagem - 22/08/2016 - 15h53 - São Paulo

Toda grande competição é feita de surpresas e de decepções. Na Rio-2016, a edição mais equilibrada dos últimos tempos, o torneio feminino terminou sem os dois grandes favoritos na final. Um deles, para a tristeza dos brasileiros, sequer chegou perto das medalhas. 
 
E se o caminho da seleção de Zé Roberto ficou difícil, foi porque a Holanda causou uma reviravolta no Grupo da Morte. De candidata ao quarto posto, a equipe de Giovanni Guidetti avançou em segundo. Com isso, provocou uma final antecipada, entre China e Brasil, já nas quartas. 
 
Já o torneio masculino, encerrado em grande estilo, com as duas escolas mais tradicionais do voleibol, viu ressurgir a força da Itália. E viu a geração de Bruninho e Lucão, fadada a ficar marcada pelos vice-campeonatos, a atingir o ápice em um lotado Maracanãzinho. 
 
Saque Viagem separou as 5 maiores surpresas e as 5 maiores decepções destes Jogos:
 
5 SURPRESAS
Holanda (feminino)
“A Holanda vai brigar com a Itália pela quarta vaga no grupo da morte”. Era este o consenso até a Rio-2016 ser aberta oficialmente no dia 6. Mas uma vitória sobre a China, um calor nos Estados Unidos e um bom resultado sobre a Sérvia fizeram a Laranja sonhar muito mais alto. O segundo lugar do Grupo B era possível. Melhor ainda era fugir do encontro com o Brasil nas quartas de final. Encontrar a Coreia do Sul era muito mais negócio. Como de fato foi. Pela primeira vez na história, a Holanda experimentava a sensação de disputar a semifinal. Ir mais longe não foi possível, assim como conquistar o bronze, mas a geração de Sloetjes fez muito mais do que se esperava dela. Ainda deixou o Maracanãzinho como uma das seleções mais queridas dos brasileiros. 
 
 
Holanda fez uma Olimpíada para se orgulhar (Foto: Divulgação/FIVB)
 
 
Itália (masculino)
A pré-Rio não havia sido muito animadora para a Itália, que ficou em quarto lugar na Fase Final da Liga Mundial. Mas nada como um dia após o outro. Com Juantorena cada vez mais integrado ao grupo, que passou a não depender apenas do saque, a Azzurra virou a sensação das Olimpíadas. A primeira fase foi para fazer muito torcedor sonhar com o primeiro ouro. As semifinais, com os Estados Unidos, pareciam a final antecipada. Porém, no caminho da equipe de Zaytsev, havia o Brasil. A prata foi amarga. 
 
Brasil (masculino)
O começo do Brasil nas Olimpíadas foi preocupante: jogos ruins contra México e Canadá e derrotas para Itália e Estados Unidos. A única boa exibição foi contra a França, em um jogo de vida ou morte para a equipe de Bernardinho. Contra a Argentina, nas quartas, mais uma apresentação burocrática. Mas havia uma semi. E uma final. Era o momento perfeito para o Brasil voltar a ser Brasil. Com duas atuações de gala sobre Rússia e Itália, o tricampeonato olímpico virou realidade.  
 
 
Brasil jogou muita bola na semi e final (Foto: Divulgação/FIVB)
 
 
Canadá (masculino)
Em um grupo com Brasil, Itália, Estados Unidos e França, parecia que o Canadá faria apenas figuração. Mas uma vitória surpreendente sobre o time de Anderson fez o Grupo B virar um desespero para os gigantes. Um deles cairia antes da hora. O patinho feio seguiu, mas não teve vida longa. As quartas de final, contra a Rússia, foram o máximo para os comandados de Glenn Hoag. No fundo, um sentimento de ouro para quem sobreviveu bem mais do que se esperava. 
 
Sérvia (feminino)
Por mais que a Sérvia fosse uma das favoritas ao ouro olímpico, era difícil imaginar que a seleção de Zoran Terzic fosse chegar até a decisão. Isso porque, no caminho, havia os Estados Unidos nas semifinais. Mas a equipe de Ognjenovic, cheia de confiança após eliminar a Rússia nas quartas, fez o jogo da vida com as americanas. E contou com a coragem de Boskovic. Na final, depois de um grande primeiro set, não se achou mais contra a China. A prata foi mais do que merecida. Enfim, a Sérvia vingou.
 
 
Sérvia tirou os EUA da final que parecia certa (Foto: Divulgação/FIVB)
 
 
5 DECEPÇÕES
Itália (feminino)
Havia pouca esperança de a Itália ir longe na Rio-2016. As quartas de final pareciam ser o máximo a se alcançar. Porém, o desempenho do jovem time de Marco Bonitta deixou tudo mais difícil para a Azzurra. Recém-saídas da base, Egonu e Sylla sentiram. Del Core também não apresentou seu melhor seu melhor vôlei. A única vitória foi sobre Porto Rico. Muito pouco para a história da Azzurra. O consolo para os tifosi é que esta Itália, tão jovem, tem condições de fazer bonito em Tóquio-2020.
 
Japão (feminino)
Desde que Takeshita se aposentou, com a medalha de bronze no peito em Londres-2012, o vôlei japonês não foi mais o mesmo. Masayoshi Manabe quis inovar e fez com que as jogadoras não tivessem posição definidas. Não deu certo. O time voltou às origens e seguiu sem bons resultados. Na Rio-2016, a equipe foi o reflexo do ciclo: insegura no passe, sem força no ataque. Só chegou às quartas porque caiu do lado mais fácil das Olimpíadas. 
 
 
 
 
Rússia (feminino)
Não é preciso inventar muito quando se tem Goncharova e Kosheleva na equipe. Basta que a levantadora coloque a bola no teto para uma das duas definir. Mas a Rússia conseguiu a proeza de desperdiçar a melhor dupla de atacantes do voleibol mundial. Com um passe sofrível, a bola não chegou até Kosianenko. Goncharova e Kosheleva viraram espectadoras de luxo de uma Rússia que tomou um humilhante 25 a 9 em plenas quartas de final. A seleção de Yury Marichev, apesar de ter vencido quatro jogos, exibiu um voleibol pobre diante das potências.
 
 
Rússia, de Goncharova, foi mal na competição (Foto: Divulgação/FIVB)
 
 
França (masculino)
Melhor equipe da Liga Mundial e campeã europeia no ano passado, a França tinha time para sonhar com o inédito ouro. Mas o grupo de Laurent Tillie não rendeu. Os centrais jogaram bem menos que se esperava. Tudo ficou nas costas de Ngapeth e Rouzier. No jogo de vida ou morte com o Brasil, na última rodada da fase classificatória, o oposto errou a bola que custou a eliminação. A volta para casa, sem o direito a jogar o mata-mata, foi um golpe duro na melhor e mais talentosa geração francesa dos últimos tempos. 
 
 
Atual campeã europeia foi embora na primeira fase (Foto: Divulgação/FIVB)
 
 
Brasil (feminino)
Ninguém da edição feminina tinha um time tão experiente quanto o Brasil. E nem tão vitorioso, com bicampeãs e campeãs olímpicas. Muito menos um técnico que venceu três Olimpíadas. Havia também todo um ginásio a favor, em uma atmosfera poucas vezes vista. Mas nada disso foi o suficiente para as brasileiras ultrapassarem a barreira das quartas de final. Se todo campeão também precisa de sorte, a seleção feminina não teve na definição do cruzamento e já pegou um gigante. A China chegou e avançou. O resultado não poderia ter sido mais decepcionante.
 
 
Bicampeãs olímpicas caíram nas quartas de final (Foto: Divulgação/FIVB)