Análise: Cartão vermelho finda temporada de polêmicas do Taubaté

Por Vanessa Kiyan - 06/04/2016 - 12h18 - São Paulo

Taubaté foi eliminado pelo Brasil Kirin da Superliga (Foto: Rafinha Oliveira/Divulgação)
 
 
Um cartão vermelho, por reincidência de retardamento na semifinal da Superliga, colocou um ponto final na temporada 2015/16 da Funvic Taubaté. Foi um final melancólico para um time que sonhou destronar o Sada Cruzeiro do posto de número 1 do País. 
 
Sem chances de disputar a taça da competição nacional, a equipe de Cezar Douglas viaja para Brasília (DF), palco da decisão entre Sada e Vôlei Brasil Kirin, apenas para buscar a medalha de bronze. Trata-se do último ato de uma temporada marcada por mais polêmicas do que resultados.
 
RIAD
A primeira delas teve como protagonista Riad. Uma das novidades da temporada, o central Riad chegou ao Taubaté com uma lesão sofrida durante o período na seleção. O time do Vale do Paraíba (SP) não quis bancar os salários do jogador, que foi às redes sociais reclamar.
 
Segundo Ricardo Navajas, supervisor do Taubaté, havia uma cláusula no contrato do atleta que versava sobre lesões antes da apresentação. Poderia haver rescisão do contrato e a devolução de metade do salário recebido no período na seleção. De acordo com Riad, a cláusula não existia.
 
Sentindo-se “abandonado” por não ter os custos de tratamento bancados, Riad rescindiu com o Taubaté e fechou com o Sesi-SP, que lhe deu suporte durante todo o processo de tratamento. A volta às quadras aconteceu na fase decisiva da Superliga.
 
COPA BRASIL
Como sede do Sul-americano de Clubes, o Taubaté abriu mão da Copa Brasil, que dava ao campeão a vaga na disputa continental. Ao invés de escalar força máxima para buscar o bicampeonato, Cezar Douglas colocou os reservas em quadra para o confronto com o Voleisul/Paquetá Esportes. 
 
O resultado não poderia ter sido mais desastroso: derrota e queda ainda nas quartas de final. Além de diminuir o valor da competição diante do descaso, o Taubaté viu seu maior rival, o Sada Cruzeiro, aumentar a hegemonia em território nacional. 
 
 
 
 
SUPERCOPA
A primeira edição da Supercopa aconteceu apenas uma semana depois do Mundial de Clubes. No interior paulista, reuniu os campeões da Superliga 2014/15, o Sada, e o da Copa Brasil de 2015, o Taubaté.  
 
Mesmo com a maratona de jogos e a conquista do Mundial, os mineiros entraram em quadra com todas as estrelas. Os paulistas, apesar de mais descansados, adotaram outra estratégia. Para poupar os titulares para a Superliga e Sul-americano, escalaram um time todo reserva.
 
O plano frustrou os torcedores que esperavam ver todos os craques em ação. Pegou também de surpresa os adversários. Diante da falta de interesse para buscar o inédito título, estenderam o tapete para os cruzeirenses saírem mais uma vez na foto de campeão.
 
LIPE X CEZAR DOUGLAS
Após o fim da partida com o Sada no Abaeté, pela segunda fase da Superliga, Lipe e Cezar Douglas travaram uma áspera discussão, exibida ao vivo pela Rede TV. Os demais atletas do elenco logo se aproximaram para acalmar o jogador.
 
Lipe levou uma advertência da direção taubateana, que interpretou o caso como descumprimento da hierarquia. “Na discussão, recebeu uma cobrança e achou que não deveria ter recebido. Ele tem o temperamento explosivo, foi notificado, mas bola pra frente”, explicou Navajas na ocasião.  
 
CARTÃO VERMELHO
O lance mais polêmico da trajetória do Taubaté na Superliga foi o que determinou a eliminação da equipe de Cezar Douglas da edição 2015/16. Pela semifinal, o Brasil Kirin vencia os rivais por 14 a 13 no tie-break.  
 
Na tentativa de fazer uma substituição, os donos da casa foram punidos com um cartão por retardamento. Era o segundo dentro do mesmo set, o que renderia o vermelho e um ponto aos campineiros. 
 
Rogerio Cezar Espicalsky, árbitro número 1 da partida, só se deu conta da segunda punição após ser avisado pelo capitão do Brasil Kirin, o oposto Wallace. A vitória dos rivais foi decretada em meio à discussão dos taubateanos com o homem do apito.
 
"Quem estava substituindo acabou entrando com a placa errada, a mesa não tocou a campainha e a cobrança foi forte em cima da arbitragem. Foi fatalidade dentro de casa e esperamos que a arbitragem tenha razão para valer esse ponto”, lamentou o técnico após a eliminação.