Análise: China foi campeã, mas outras 4 seleções também poderiam ter sido

Por Saque Viagem - 22/08/2016 - 16h56 - São Paulo

China, de Hui, foi campeã olímpica no Rio (Foto: Divulgação/FIVB)
 
 
Antes mesmo de a Rio-2016 começar, Zé Roberto cravou: “será a Olimpíada mais disputada da história”. À primeira vista, parecia um discurso apenas cauteloso de um técnico que tinha nas mãos uma seleção capaz de alcançar o histórico tricampeonato olímpico. Mas bastou a bola rolar no Maracanãzinho para a gente concordar com o comandante brasileiro. 
 
Sim, a edição carioca foi a mais equilibrada dos últimos tempos no voleibol feminino. Daqueles eleitos os favoritos ao ouro, todos cumpriram à risca o papel. O Brasil, apesar de ter caído bem antes da hora, mostrou que tinha time para chegar ao topo. Estados Unidos, Sérvia e China também. 
 
Mas, como toda boa competição é feita de surpresas, a Rio-2016 também teve a sua. Seleção de porte médio da Europa, a Holanda saiu de um virtual quarto lugar no grupo da morte para uma surpreendente semifinal. E só não chegou mais perto da inédita decisão porque, talvez, não tenha acreditado que poderia ter ido mais longe. Tinha time para isso.
 
 
 
A campeã foi a China, em uma campanha que lembrou muito a do Brasil em Londres-2012: uma primeira fase sofrível, uma vitória sobre um gigante nas quartas de final, e em um tie-break nervoso, até a consagração definitiva diante da Sérvia na decisão. A equipe de Lang Ping foi campeã com méritos, mereceu todos os louros colhidos no Maracanãzinho. Porém, não foi a melhor.
 
A competição edição da Rio-2016 ficou marcada pelo equilíbrio. Não houve um grande bicho-papão, um time a ser apontado como o melhor. Se o ouro tivesse ficado com a Sérvia, teria sido igualmente merecido. Assim se fosse para Estados Unidos, Holanda e Brasil. O nível das equipes esteve muito próximo, e todas oscilaram na mesma medida.
 
Como prova, não tivemos nenhuma seleção invicta. Os jogos entre as grandes equipes foram decididas em pequenos detalhes. Em geral, a partir do 20º ponto, para deixar tudo mais imprevisível. O maior clichê do voleibol, na Rio-2016, fez todo o sentido: “venceu quem errou menos”. E a China, neste sentido, foi cirúrgica para papar o tricampeonato olímpico.