Análise: Desafio e sensibilidade de Zé Roberto pesam na final

Por Saque Viagem - 10/07/2016 - 14h29 - São Paulo

Zé Roberto sempre foi um defensor do uso da tecnologia no voleibol. O próprio técnico, com o Brasil, já havia passado por situações embaraçosas diante das interpretações equivocadas da arbitragem, em dois jogos decisivos com a Rússia: um foi na final do Mundial do Japão; o outro, nas quartas de final dos Jogos Olímpicos de Londres. Coincidentemente, ambos aconteceram no tie-break, em lances cruciais da disputa.
 
Neste domingo (10), na final do Grand Prix contra os Estados Unidos, a tecnologia jogou a favor da seleção. Era final do terceiro set, e as americanas viviam um momento melhor que as brasileiras. Thaísa subiu pelo meio, mas atacou para fora e lamentou o empate das rivais em 24 a 24. Zé Roberto pediu o desafio para um lance que, ao menos para as jogadoras em quadra, estava resolvido. A câmera, em close, mostrou o toque do bloqueio americano.
 
Não dá para afirmar o que teria acontecido depois de um possível 24 a 24, mas dá para cravar que Zé Roberto foi fundamental para o triunfo. No jogo decisivo com os Estados Unidos, que vinham de nove vitórias consecutivas no Grand Prix, sendo duas sobre a China e uma sobre a Rússia, o treinador também teve sensibilidade para não perder Fernanda Garay. A ponteira, que começou bem no ataque, esteve insegura no passe. Jaqueline entrou na segunda parcial e arrumou a casa.
 
 
Garay foi bem no ataque, mas irregular no passe no primeiro e segundo sets (Foto: Divulgação/FIVB)
 
 
O bom trabalho da camisa 8, que mais uma vez fez a diferença no ritmo de jogo brasileiro, não foi o suficiente para Zé Roberto deixar a gaúcha no banco. No terceiro set, em uma demonstração de confiança, o comandante voltou com Garay. E a craque do Dínamo Moscou-RUS não decepcionou. Até o passe, antes um problema, passou a sair com mais naturalidade. Jaqueline nem precisou mais ser chamada para apagar o incêndio. Estava tudo resolvido.
 
O comandante teve também paciência com Sheilla. A oposta, que entrou na partida do ouro com o status de atacante mais eficiente da edição 2016, demorou um set e meio para pontuar. Foram sete tentativas, sem nenhum sucesso. Depois que a primeira bola caiu, Sheilla não parou mais. Com 14 pontos marcados, terminou a decisão do Grand Prix, talvez seu último da carreira, com quase 50% de aproveitamento no ataque. 
 
Em meio a tantos acertos, Zé Roberto cometeu um pecado, ao insistir demais com a inversão do 5-1. Contra os Estados Unidos, Roberta e Gabi não foram tão efetivas. E a seleção pagou um preço alto por isso. No quarto set, teve tudo para fechar o clássico em 3 a 1, mas o time parou após as saídas de Dani Lins e Sheilla. A mesma inversão já havia sido um problema nas parciais anteriores.
 
"Estou muito orgulhoso do meu time. Jogamos uma grande batalha, uma partida maravilhosa. A gente nunca sabe o que vai acontecer no tie-break. Estou muito feliz e precisamos agora pensar no Rio. Olimpíada é mais importante que Grand Prix, mas vamos aproveitar o momento", disse o treinador assim que Fabiana, pelo meio, colocou no chão a bola do 11º título no Grand Prix. 
 
Visivelmente emocionado com mais uma conquista da seleção, tão criticada pela fraca fase classificatória, Zé Roberto volta para o Brasil para dar sequência ao trabalho para os Jogos Olímpicos. O desafio é grande, assim como a expectativa pelo tricampeonato. Há, ainda, a dureza dos cortes. Um deles deve ser o mais difícil: tanto Camila Brait quanto Léia foram bem na Fase Final. A minastenista, porém, foi ligeiramente superior à osasquense, e em jogos-chave: contra Rússia e EUA. Nada mal.