Análise: Grande pecado da seleção feminina foi ter ficado do lado oposto ao grupo da morte

Por Saque Viagem - 22/08/2016 - 17h58 - São Paulo

Jogo com a China marcou o fim do sonho do tricampeonato olímpico (Foto: Divulgação/FIVB)
 
 
A Rio-2016 ainda ficará por algum tempo na mente das meninas do Brasil. Do sonho do tricampeonato olímpico, ficou a frustração por não ter chegado nem perto das medalhas, algo que não acontecia para a seleção feminina desde a distante Seul-1988. Se existe algum consolo, é que se perdeu para o time que se tornaria, dias depois, campeão olímpico. 
 
Mas havia vôlei para se pensar mais longe. Talvez esteja aí a maior decepção. O time, que vinha bem desde a conquista do Grand Prix, fez boas exibições no Maracanãzinho, embora muitos jogos tenham sido contra equipes do segundo escalação do voleibol mundial. O único grande desafio foi diante da Rússia. 
 
A química com a torcida parecia também na medida exata para o tricampeonato olímpico. O “trenzinho da alegria” contagiou e deixou jogadoras e público mais próximos. Mas aí chegaram as quartas de final, e o Maracanãzinho viveu sua noite mais triste. Depois de um início arrasador, as brasileiras deixaram a China crescer. O tie-break, em 15 a 13, foi um baque. 
 
 
 
 
No final das contas, o grande pecado da seleção de Zé Roberto foi ter ficado do outro lado do grupo da morte. Primeiro, porque se criou a falsa impressão, na torcida e imprensa, que estava tudo bem. Não, não estava. Vencer Camarões, Argentina, Japão e Coreia do Sul, e por 3 a 0, era como cumprir o dever de casa. 
 
Não enfrentar os reais adversários, aqueles que de fato brigariam pelo ouro, também não foi o melhor negócio. O Brasil não foi de fato testado, não passou por dificuldades e não teve o direito de errar quando poderia. Pior: já teve uma pequena final bem antes da hora. Enquanto Estados Unidos e Holanda cruzaram com Japão e Coreia, respectivamente, a China soou como indigestão.
 
Marcada por tantas campanhas de superação, desta vez a seleção não soube sair da teia armada por Lang Ping. Zé Roberto tampouco teve a mesma ousadia e coragem da chinesa. Faltou acreditar mais no banco de reservas. Faltou ir para o tudo ou nada. Lang Ping, que viveu enforcada durante toda a fase classificatória, chegou “com mais casca” para a guerra. E venceu.