Análise: Rexona e Sesc-RJ mostram que há espaço para a criatividade em eventos batidos

Por Vanessa Kiyan - 03/10/2016 - 21h29 - São Paulo

Uma apresentação de um time costuma ser assim: diante de uma plateia dividida entre jornalistas e fotógrafos, o patrocinador enche o peito para falar sobre a importância do projeto, o técnico comenta sobre a nova temporada e o novo elenco é apresentado, na ordem numérica ou de acordo com as posições. Feito todo o protocolo, todos são liberados para as entrevistas. E as perguntas batidas não podem faltar: “qual é a expectativa para a nova temporada?”
 
O Rexona-Sesc e o Sesc-RJ mostraram que há espaço para a criatividade em eventos marcados por um tom só. Nesse fim de semana, no Sesc Tijuca, os dois elencos se reuniram para o lançamento oficial da temporada 2016/17. Além da imprensa, estiveram presentes também torcedores, divididos com camisetas azuis e brancas nas arquibancadas. Depois das palavras dos técnicos Bernardinho e Giovane Gávio, da apresentação dos jogadores, com direito a luzes especiais e imagens no telão, entendeu-se o motivo da divisão das cores.
 
Os homens do Sesc-RJ e as meninas do Rexona se dividiram em dois times. Fabi, Carol, Renato, Renan, Drussyla e Roberta ficaram na equipe branca, liderada por Giovane. Gabi, Monique, Tiago Barth, Lucianinho, Everaldo e Mayhara compuseram o time azul, de Bernardinho. No maior clima de pelada, os atletas se divertiram. E divertiram também os fãs, que entraram no ritmo da brincadeira e entoaram gritos de “azul” e “branco” nas arquibancadas. Guardadas as devidas proporções, parecia até Fla-Flu. 
 
 
Rexona e Sesc fizeram uma partida mista na apresentação do elenco (Foto: Sesc/Divulgação)
 
 
Anne Buijs, a grande novidade do Rio de Janeiro na temporada, foi chamada no 7 a 7. Fria, errou uma cobertura fácil. Depois, uma recepção. A holandesa não se conteve: pediu que Jucy repetisse o saque sobre ela. Desta vez, acertou o passe no alto. Também mostrou categoria nos ataques pela entrada. A cada ponto, um sorriso largo para as novas companheiras. O empenho, no entanto, virou empate: 14 a 14. No fundo, venceram as marcas, que atraíram a atenção do público com uma ação criativa e um jogo inusitado entre homens e mulheres.
 
“A apresentação foi maravilhosa, foi muito divertido jogar com elas. A rede estava mais baixa, então demos uma segurada. A ideia era mostrar para o público um jogo de voleibol”, disse o central Renato, que se prepara para disputar a Superliga B pelo Sesc-RJ. “Nunca tinha jogado com um time profissional feminino. A experiência foi bem gostosa e divertida.” 
 
 
Terminado o jogo, foi aberta a temporada de entrevistas. Bernardinho foi logo cercado por jornalistas. Do outro lado, Giovane também ganhou marcação cerrada. Entre os atletas, ninguém sofreu mais assédio do que Fabi, a menor de todas, mas sempre a mais visada. Os torcedores também aproveitaram o evento para tietar. E de todas as formas: com selfies e autógrafos. A parceria do Sesc-RJ com as equipes de Bernardinho e Giovane não poderia ter começado melhor: leve, descontraída e próxima do público.
 
 
Bernardinho e Giovane lideram os projetos do Rexona e Sesc (Foto: Marcio Rodrigues/Mpix)