Análise: Sucesso da Itália nas Olimpíadas passa por Del Core e De Gennaro

Por Vanessa Kiyan* - 19/07/2016 - 13h16 - São Paulo

Marco Bonitta sempre foi um técnico polêmico, seja na armação do time, seja no tratamento com as jogadoras. Não dá para dizer que suas loucuras não fazem algum sentido. Em 2002, quando a Itália era uma mera coadjuvante no voleibol feminino, a geração de Lo Bianco e Piccinini foi campeã mundial, para surpresa geral.
 
A menos de três semanas do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Bonitta se mostrou ousado mais uma vez. Das 12 jogadoras listadas para defender a Azzurra no Maracanãzinho – os nomes foram divulgados nessa segunda-feira (18) –,  apenas a ponteira Del Core e a líbero De Gennaro são especialistas no passe.
 
As outras ponteiras convocadas são mais ofensivas, casos de Sylla, Egonu e Ortolani, sendo que estas duas últimas também jogam como opostas. Pesa também sobre Sylla e Egonu a pouca idade. A primeira soma 21 anos. A segunda, recém-saída das categorias de base, apenas 17.
 
 
Del Core vai precisar segurar o passe da Itália (Foto: Divulgação/FIVB)
 
 
Piccinini e Lucia Bosetti, jogadoras mais de composição, poderiam agregar experiência e qualidade à recepção da Azzurra, mas ambas não têm um bom relacionamento com Bonitta e sequer vão estar por aqui em agosto. Tirozzi vive a mesma situação. A esperança era que Gennari se recuperasse a tempo dos Jogos Olímpicos, o que não foi possível.
 
Só com duas especialistas na recepção, o sucesso das azuis passa diretamente pelo bom rendimento de Del Core e De Gennaro no fundamento. Até porque de nada adianta ter derrubadoras de bola, como Egonu, Sylla, Ortolani, Centoni e Diouf, se as levantadoras Orro e Lo Bianco não tiverem condições na distribuição.
 
Bonitta já usou esta mesma opção tática no Grand Prix. Na ocasião, só não contou com Lo Bianco, integrada recentemente à seleção. As italianas enfrentaram Brasil, Sérvia, Japão, Holanda, Rússia, Tailândia, Turquia e Bélgica. Foram apenas quatro vitórias e cinco derrotas, resultado insuficiente para levar o time de Bonitta à Fase Final.   
 
Nas Olimpíadas, será preciso um rendimento muito superior. A Azzurra é uma das gigantes do grupo da morte, composto também por Estados Unidos, China, Sérvia, Holanda e Porto Rico. Na teoria, briga com as holandesas pela quarta vaga às quartas de final. Vaga esta que nunca esteve tão ameaçada.
 
 
 
 
 
 
 
 
* Com a colaboração de Joana Mello, do blog "Vôlei Sem Fronteiras"