Fernanda Venturini sobre Macris: “Eu era assim também”

Por Sidrônio Henrique - 16/04/2019 - 22h42 - São Paulo

"Ela é ousada, não tem medo de arriscar", elogiou Fernanda (Fotos: Montagem/Divulgação)
 
Quatro vezes premiada como melhor levantadora da Superliga, escolhida a melhor da posição na última edição do Mundial de Clubes, Macris Carneiro, do Itambé/Minas, é quase uma unanimidade entre a imprensa e os fãs. Mas sua popularidade vai além. Uma das maiores de todos os tempos na mesma função também a elogia. “Gosto dela porque joga muito pelo meio, eu era assim também”, disse ao Saque Viagem Fernanda Venturini, maestrina da seleção que conquistou a primeira medalha olímpica do vôlei feminino brasileiro, bronze nos Jogos de Atlanta, em 1996.

Uma das quatro finalistas na eleição da melhor jogadora do século XX* pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), Venturini listou algumas das qualidades que vê em Macris: “Ela é ousada, não tem medo de arriscar, tem aquela segundinha”.

A ex-jogadora acredita que a titular do Minas tem potencial para se desenvolver ainda mais. “Pegando bagagem internacional, ela vai crescer. Vamos ver também como ela joga essa final (contra o Dentil/Praia Clube), o time do Minas ao meu ver é o favorito”.

Sobre as principais candidatas às vagas de levantadora na seleção, Venturini apontou, além de Macris, a veterana Fabíola, que jogou pelo Sesi Vôlei Bauru.
 
 
“O adversário fica sem saber quem vai receber a bola”, observou Fofão (Foto: Divulgação/FIVB)

Fofão
Outra referência internacional na posição, com um ouro e dois bronzes olímpicos, além de integrante do Hall da Fama, Fofão também fez elogios à armadora do Minas. Ela, que já havia comentado recentemente sobre as atuações de Macris para o Canal Vôlei Brasil, da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), falou com o Saque Viagem.

“A Macris está conseguindo manter esta temporada uma regularidade muito grande. O que a torna diferenciada é a variação. É essencial que toda jogadora se sinta importante dentro do time e ela está colocando todas elas para aparecer mesmo. O adversário fica sem saber quem vai receber a bola. Ela constrói o ataque muito bem, a segurança e o amadurecimento dela são muito importantes para a equipe do Minas”, afirmou Fofão.

Melhor levantadora dos Jogos de Pequim, em 2008, ela espera ver Macris na seleção. “O grande desafio dela agora é brilhar não só dentro do clube, mas também na seleção, fazendo com que todo mundo jogue, com que todas se tornem referência.”

Lavarini
Técnico do Minas, o italiano Stefano Lavarini cobre sua atleta de elogios. “A Macris é uma levantadora muito inteligente e dedicada. Ela tem uma grande personalidade, o que faz com que escolha, mesmo em momentos difíceis, jogadas que surpreendem o adversário. Ela gosta de um jogo muito rápido e tem facilidade nas bolas com as centrais. Essas características fazem dela uma levantadora imprevisível”, disse ao site.
 
 
"A Macris é uma levantadora muito inteligente e dedicada", comentou Lavarini (Foto: Divulgação/FIVB)
 
Liberdade para ousar
Aos 30 anos, com 1,78m, Macris jamais passou pelas categorias de base da seleção, tendo recebido sua primeira convocação somente aos 26 anos, em 2015. Desde então, exceto em 2016, ano olímpico, tem sido lembrada, mas sempre como segunda ou terceira opção. Participou como reserva em competições como a Liga das Nações, ou sua antiga versão, o Grand Prix, e ainda do Sul-Americano 2017, mas não foi ao Mundial 2018 – o técnico José Roberto Guimarães optou por Dani Lins e Roberta Ratzke.

“Alguns especialistas destacam a velocidade do levantamento como um ponto positivo no meu estilo de jogo, que só é possível colocar em prática quando tenho liberdade, quando tenho permissão para utilizar essa característica”, comentou com o Saque Viagem. “Sempre busco meu aperfeiçoamento, seja nos treinos, nos jogos e nos estudos fora da quadra, de acordo com o nível de dificuldade que enfrento, para oferecer a melhor jogada em quadra”, completou.

Sobre a Olimpíada de Tóquio, em 2020, a levantadora disse que é um sonho. “Se eu tiver essa oportunidade, com certeza vou dar o meu melhor. Neste momento, o foco está em conquistar meus objetivos diários também, como treinar para aperfeiçoar os detalhes, que podem fazer a diferença nessa reta final da Superliga. Caso uma oportunidade na seleção apareça, estarei disponível para ajudar da melhor maneira.”
 
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*Quatro jogadoras foram finalistas na eleição da melhor jogadora do século XX pela FIVB: Regla Torres (Cuba), Lang Ping (China), Inna Ryskal (antiga União Soviética) e Fernanda Venturini. O prêmio ficou com a central cubana Torres.