Quem leva a melhor nos torneios pré-olímpicos?

tokyo-2020

Cinco vagas olímpicas, em cada naipe, vão ser decididas a partir deste domingo (Fotos: Divulgação/FIVB)

 

Por Saque Viagem
4 de janeiro de 2020

 

A corrida pelas cinco últimas vagas nos torneios masculino e feminino de voleibol em Tóquio-2020 começa neste domingo (5), com os qualificatórios continentais. A equipe do Saque Viagem, formada pelo ex-treinador e comentarista Cacá Bizzocchi e os jornalistas Vanessa Kiyan e Sidrônio Henrique, dá seus palpites e faz suas justificativas.

Em breve, no dia 12 de janeiro, conheceremos todos os classificados, quando terminam os últimos pré-olímpicos. Veja em quem apostamos.

 

FEMININO
ÁFRICA
Quando: A partir do dia 5
Onde: Yaounde (Camarões)
Participantes: Botsuana, Camarões, Egito, Quênia e Nigéria

Cacá Bizzocchi: Camarões
Eu vou de Camarões por jogar em casa. Entre eles e Quênia existe um equilíbrio muito grande, uma hora dá um, noutra hora dá o outro, o Quênia talvez esteja um pouco à frente pelo que mostrou nas últimas competições, mas, por jogar em casa, eu acho que dá Camarões.

Sidrônio Henrique: Camarões
Há um grande equilíbrio entre as camaronesas e as quenianas, mas o fator casa é importante e a seleção de Camarões jogará em um ginásio lotado, em sua capital, Iaundé. Apesar do confronto mais recente, na Copa do Mundo 2019, ter terminado com vitória do Quênia por 3 a 1, o time camaronês parece mais ajustado, ainda que a diferença entre ambos seja pequena. No duelo entre Moma Bassoko (CAM) e Sharon Chumba (QUE), coloco as fichas na primeira.

Vanessa Kiyan: Camarões
No confronto direto com o Quênia na Copa do Mundo, as camaronesas levaram a pior. Mas eu acho uma seleção superior. Elas fizeram bons jogos no Pré-Olímpico de Uberlândia, foram as representantes da África na Rio-2016… E têm a Moma Bassoko, que é uma atacante de decisão.

 

Camarões esteve nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016

 

AMÉRICA DO NORTE, CENTRAL E CARIBE (NORCECA)
Quando: A partir do dia 10
Onde: Santo Domingo (R. Dominicana)
Participantes: Canadá, República Dominicana, México e Porto Rico

Cacá Bizzocchi: República Dominicana
Apesar de este Pré-Olímpico da Norceca parecer barbada, a República Dominicana não deve ter vida fácil contra o Canadá. O Canadá também evoluiu, mas eu acho que não a ponto de decidir contra a República Dominicana e ter garantias de que pode vencer. Acho que a chance de vencer é da República Dominicana. Elas têm um time mais experiente, que está jogando entre os melhores do mundo há algum tempo.

Sidrônio Henrique: República Dominicana
Aqui a aposta mais fácil de todos os torneios qualificatórios, tanto no masculino quanto no feminino. Só uma zebra colossal tira a vaga de Bethania de la Cruz e cia. O principal adversário deve ser o Canadá, em franca evolução, tendo vencido a Challenger Cup 2019 e se classificado para a Liga das Nações 2020. Ainda assim, o time dominicano, dirigido pelo brasileiro Marcos Kwiek, está bem acima de canadenses, mexicanas e porto-riquenhas. Para facilitar ainda mais a tarefa, jogam em casa.

Vanessa Kiyan: República Dominicana
Acho a seleção mais favorita à vaga olímpica entre todas que disputam os pré-olímpicos continentais. Porém, isso pode ser um adversário para o time do brasileiro Marcos Kwiek. Já vimos que, quando a República Dominicana joga com o peso do favoritismo, às vezes se complica, como na final dos Jogos Pan-Americanos de Lima, contra a Colômbia. Era favorita e só conseguiu confirmar a condição após uma sofrida decisão com a seleção de Antonio Rizola. De qualquer forma, é a seleção em que eu apostaria todos os meus poucos reais para a vaga olímpica. Seria uma forma bonita de a geração mais importante e vitoriosa da história do voleibol dominicano encerrar a sua história no time nacional.

 

Rep. Dominicana, de Bethania de la Cruz, é favorita na disputa da Norceca

 

AMÉRICA DO SUL
Quando: A partir do dia 7
Onde: Bogotá (Colômbia)
Participantes: Argentina, Colômbia, Peru e Venezuela

Cacá Bizzocchi: Colômbia
A América do Sul tem equipes não muito fortes, não tão fortes como as da Europa, por exemplo, mas acabou ficando um torneio muito equilibrado. A Argentina saltaria na frente pela participação dos últimos campeonatos, por ter jogadoras mais experientes, algumas que jogam ou já jogaram na Europa… O Peru eu acho que fica em terceiro, acho que está abaixo da Colômbia e Argentina. A Colômbia é quem vem subindo, vem surpreendendo, bateu o Brasil no Pan, quase se classificou para a Liga das Nações deste ano. Eles têm feito um trabalho muito bem feito. É um time que, a cada torneio, se mostra mais confiante.

Sidrônio Henrique: Argentina
Sim, a Colômbia tem evoluído bastante, como resultado de um trabalho iniciado em 2011. Neste ciclo, alcançou seus melhores resultados, sob o comando do treinador brasileiro Antonio Rizola, que chegou ao país em 2017. Ainda por cima, as colombianas jogarão diante da sua torcida, em Bogotá, com entradas esgotadas para os três dias do pré-olímpico. No entanto, a Argentina tem mais experiência, saca e bloqueia melhor, deve ficar com a vaga para Tóquio-2020. Peru e Venezuela são coadjuvantes.

Vanessa Kiyan: Colômbia
Por todo o histórico, por ter um elenco mais experiente, acho até as argentinas mais favoritas à vaga na América do Sul. Mas a Argentina me incomoda um pouco porque é aquela seleção que nunca sai do mesmo patamar. A gente não vê um sinal de evolução no time desde que se tornou a segunda força do continente. Não vemos a Argentina ascender em nível mundial, incomodar os grandes, vislumbrar objetivos maiores. Gostei demais da Colômbia nos Jogos Pan-Americanos de Lima. Fiquei encantada com a líbero Camila Gomez (alô, times do Brasil!), com as atacantes de ponta… Amanda Coneo tem muita personalidade. É um time bem redondo. Vamos ver como se comportam em um Pré-Olímpico em casa, com ginásio lotado, com expectativa alta após o que fizeram no Peru. Isso pode pesar contra.

 

Colômbia jogará o classificatório olímpico dentro de casa, na cidade de Bogotá

 

EUROPA
Quando: A partir do dia 7
Onde: Apeldoorn (Holanda)
Participantes: Azerbaijão, Bélgica, Bulgária, Croácia, Alemanha, Holanda, Polônia e Turquia

Cacá Bizzocchi: Polônia
O torneio mais equilibrado é o europeu, sem dúvida nenhuma. Qualquer uma das quatro equipes – Polônia, Turquia, Holanda e Alemanha – pode chegar. Por jogar em casa, a Holanda levaria alguma vantagem, mas não tem feito bons campeonatos, e essa mudança de técnico de última hora, a meu ver, não foi bom para elas. Se tivesse um favorito, seria a Turquia, pelos últimos resultados em Campeonatos Mundiais, Liga das Nações, Europeu… Mas esse time da Polônia está subindo demais, e tem a Joanna Wolosz em uma fase espetacular. É um time muito alto, e eu acho que pode dar Polônia, sim.

Sidrônio Henrique: Turquia
A seleção do técnico Giovanni Guidetti vem com a faca nos dentes para voltar aos Jogos Olímpicos, após a estreia em Londres-2012 e a ausência na Rio-2016. A Turquia fez um Campeonato Europeu excelente, terminando com a prata, caindo na final diante da campeã mundial Sérvia. Tem uma equipe coesa, sem grandes pontos fracos. Suas principais adversárias, a Polônia e a anfitriã Holanda, tiveram um período turbulento, com problemas internos, e isso pode pesar contra elas.

Vanessa Kiyan: Polônia
Se fosse palpitar pelos resultados mais recentes, apontaria a Turquia como favorita à vaga nesse qualificatório que tem tudo para ser incrível. Apesar de ser uma seleção jovem, teve grandes resultados nas últimas duas Ligas das Nações, no último Campeonato Europeu… E tem um técnico (Giovanni Guidetti) que conhece muito bem o caminho olímpico. Mas eu vou apostar em uma zebra. Tenho acompanhado com bastante entusiasmo a ascensão da Polônia, aproximando-se dos grandes do voleibol mundial. Na última Liga das Nações e Campeonato Europeu, a equipe deu provas de que tem totais condições de voltar a uma Olimpíada. Como não acreditar em um time que tem uma levantadora do nível da Joanna Wolosz e uma oposta como a Malwina Smarzek?

 

Turquia vem como uma das favoritas na briga pela vaga na Europa

 

ÁSIA
Quando: A partir do dia 7
Onde: Nakhon Ratchasima (Tailândia)
Participantes: Austrália, Taiwan, Cazaquistão, Coreia do Sul, Indonésia, Tailândia e Irã

Cacá Bizzocchi: Coreia do Sul
A Coreia não vai ter vida fácil, porque tem a Tailândia jogando em casa, tem também o Cazaquistão que pode surpreender, mas eu acho que pelo trabalho do Stefano Lavarini, e pela Kim Yeon Koung, a Coreia consegue a classificação.

Sidrônio Henrique: Coreia do Sul
OK, quase todo fã de voleibol gostaria de ver a Tailândia de Nootsara Tomkom e Pleumjit Thinkaow finalmente nos Jogos Olímpicos. Porém, a Coreia do Sul, treinada por Stefano Lavarini, já apresentou sinais de evolução, principalmente no saque e no ataque, além de contar com a excepcional Kim Yeon Koung. Se antes havia equilíbrio, hoje a balança pende em favor das sul-coreanas, ainda que as tailandesas tenham o apoio de sua apaixonada torcida.

Vanessa Kiyan: Coreia do Sul
Este é um pré-olímpico em que a gente lamenta que só exista uma vaga em jogo. Acho a Coreia do Sul favoritíssima pelo histórico dos últimos anos, por ter um técnico da categoria do Stefano Lavarini e por ter uma atacante decisiva como a Kim Yeon Koung. Eles vêm de uma boa participação na Copa do Mundo, competição em que chegaram a vencer o Brasil, e de um qualificatório mundial em que quase conquistaram a vaga para Tóquio-2020 no jogo com a Rússia, que jogava em casa. Mas, por outro lado, decepcionaram no Campeonato Asiático que sediaram. Quando disse que é uma pena haver apenas um bilhete olímpico em jogo foi porque adoraria ver a Tailândia em uma Olimpíada. É aquele time que dá gosto de sentar-se em frente à TV para assistir a seus jogos. Sou fã da levantadora Nootsara Tomkom e de toda a velocidade do voleibol tailandês. Talvez seja a última chance dessa grande geração da Tomkom e da Onuma de estar em uma Olimpíada.

 

Kim e Lavarini buscam confirmar o favoritismo das sul-coreanas

 

MASCULINO
ÁFRICA
Quando: A partir do dia 7
Onde: Cairo (Egito)
Participantes: Tunísia, Gana, Egito, Argélia, Camarões

Cacá Bizzocchi: Tunísia
Apesar de ser no Egito, é uma aposta na tradição africana. Acho que pesa muito a tradição nestes pré-olímpicos, e faz dois anos que a Tunísia “papa” o Egito. Vou numa zebrinha, mas vou arriscar neste grupo uma zebra.

Sidrônio Henrique: Egito
Mais uma situação de grande equilíbrio. Egípcios e tunisianos são os maiores vencedores do voleibol masculino africano, com os camaroneses como terceira força. A vaga deve ficar entre os dois primeiros, com vantagem do Egito, que joga na sua capital, Cairo. O técnico holandês Gido Vermeulen assumiu a seleção egípcia em 2019 e o time fez boas partidas na Copa do Mundo. A Tunísia levou a melhor tanto nesta competição quanto na decisão do Campeonato Africano. Mas a preparação dos egípcios para o pré-olímpico foi mais longa, incluindo um giro pela Europa, enfrentando seleções como Bulgária e Alemanha.

Vanessa Kiyan: Egito
Aposto no Egito por ter tido resultados melhores em nível mundial nos últimos anos, por jogar em casa e por ter feito uma partida interessante contra o Brasil no Pré-Olímpico de agosto. Mas, para ser bem sincera, conheço e acompanho muito pouco o voleibol africano.

 

O holandês Gido Vermeulen tentará levar o Egito a Tóquio-2020

 

AMÉRICA DO NORTE, CENTRAL E CARIBE (NORCECA)
Quando: A partir do dia 10
Onde: Vancouver (Canadá)
Participantes: Canadá, México, Cuba e Porto Rico

Cacá Bizzocchi: Cuba
Cuba, contra o Canadá, no Canadá. Aí você vai falar: “Você está maluco, Cacá?” Não, porque a Norceca foi no Canadá, o Canadá com o time completo, e Cuba fez 3 a 1 de um jeito até fácil. O Canadá também é outra seleção que não engrena.

Sidrônio Henrique: Canadá
Há quatro anos, no classificatório da Norceca, uma seleção cubana recheada de juvenis aprontou para cima do Canadá, derrotando-o por 3 a 0 em Edmonton. Mais uma vez, o pré-olímpico será em solo canadense, desta vez em Vancouver, mas Cuba tem o reforço do central Robertlandy Simon, da constelação do clube italiano Lube Civitanova, e de jogadores que estão na liga argentina. Muita gente aposta nos cubanos e há boas razões para isso, como apontei acima. Porém, é bom lembrar que o Canadá está mais experiente, ainda que nunca tenha deixado a condição de time do segundo escalão mundial – o bronze na Liga Mundial 2017 veio numa competição marcada por times B.

Se há quatro anos o então titular da saída de rede, Gavin Schmitt, lutava contra contusões, agora Sharone Vernon-Evans está em plena forma, e o garoto tem espancado a bola e ampliado seu repertório de golpes. No recente campeonato da Norceca, em setembro, Cuba derrotou o Canadá, no entanto o time norte-americano estava sem alguns titulares – Gord Perrin, por exemplo, não jogou. Esse pré-olímpico será mais um bastante disputado, mas meu palpite é que a seleção canadense sai vencedora.

Vanessa Kiyan: Canadá
Cuba vai contar com toda a experiência do central Robertlandy Simon, mas eu aposto no Canadá. Em termos de conjunto, acho um grupo mais forte. De qualquer forma, vai ser interessante acompanhar o talento individual dos cubanos, a força física deles, contra a obediência tática dos norte-americanos e todo o seu volume de jogo. Eu torço pelo jogo bonito, por isso, vou de Canadá.

 

Canadá é uma das equipes com chances de conquistar a vaga na Norceca

 

AMÉRICA DO SUL
Quando: A partir do dia 10
Onde: Santiago (Chile)
Participantes: Chile, Colômbia, Peru e Venezuela

Cacá Bizzocchi: Chile
A aposta é no Chile porque é quem tem feito a melhor campanha entre as seleções que vão disputar o qualificatório sul-americano. É a equipe que tem o melhor elenco. As demais só em um golpe de sorte mesmo.

Sidrônio Henrique: Venezuela
A classificação antecipada de Brasil e Argentina fez com que, pela primeira vez na história, três seleções sul-americanas estejam presentes num torneio olímpico de voleibol. Olha, eu torço pelo Chile, acompanho o esforço daquela federação desde 2011, investindo na modalidade, revelando jogadores interessantes como Dusan Bonacic e os dois mais novos dos três irmãos Parraguirre, Tomás e Vicente (o mais velho chama-se Matías). Mas a seleção chilena ainda fraqueja nos momentos decisivos.

Talvez o torcedor tenha se deixado impressionar pelo quarto lugar no Pan 2019, mas a competição estava esvaziada. No Sul-Americano, no mês seguinte, perderam para uma Venezuela desfalcada que havia desembarcado em Santiago quase sem treinar – devolvendo depois a derrota na disputa do bronze. Desta vez, novamente na capital chilena, os venezuelanos chegam com mais tempo de treino, tendo um time parecido com o que derrotou a Argentina na semifinal do Sul-Americano 2017. Vou arriscar nessa e apostar nos venezuelanos, mesmo sabendo que podem até ganhar dos chilenos, mas perder para os peruanos (como ocorreu no torneio continental, em setembro) ou os colombianos, arruinando tudo. É um qualificatório de baixo nível técnico.

Seja lá quem ganhe, é lamentável que uma equipe dessas esteja em Tóquio-2020, enquanto grandes seleções europeias ficarão de fora. O perdedor do duelo entre Canadá e Cuba, na Norceca, é bem mais forte do que esses times que disputam o pré-olímpico da América do Sul.

Vanessa Kiyan: Chile
Com Brasil e Argentina classificados para as Olimpíadas, não tem como não apostar no Chile. É, hoje, a terceira força do continente com sobras. Por um lado, é bacana ver uma “cara nova” em uma Olimpíada. Por outro, eu lamento que os qualificatórios de agosto, da maneira como foram feitos, tenham aberto esta possibilidade. Antes, se classificava primeiro pela Copa do Mundo, depois pelo pré-olímpico continental e, por fim, pelo mundial. Até por isso, o Chile nunca alcançou a classificação olímpica. Eu, particularmente, preferia ver mais uma equipe da Europa nas Olimpíadas.

 

Chile tem maior oportunidade da história para se classificar para uma Olimpíada

 

EUROPA
Quando: A partir do dia 5
Onde: Berlim (Alemanha)
Participantes: Bélgica, Bulgária, República Tcheca, França, Alemanha, Holanda, Sérvia e Eslovênia

Cacá Bizzocchi: Eslovênia
Eslovênia é a grande zebra, é a minha aposta mais improvável, mas é um time que pode surpreender. Eles têm chegado muito perto em vários campeonatos, fizeram a final do Europeu. A Sérvia tem esta questão de o Slobodan Kovac ter assumido e ter ganhado o primeiro torneio (Campeonato Europeu), como aconteceu com o Nikola Grbic, não sei se vai ter o mesmo sucesso. Já a França está em decadência se compararmos com quatro anos atrás. A cada ano, ela entra em um patamar um pouco abaixo. A Alemanha, como joga em casa, pode surpreender, mas minha aposta é numa zebra.

 

 

Sidrônio Henrique: Sérvia
Curiosamente, nenhum dos oito times que disputam o qualificatório europeu chega a ser brilhante, mas quase todos são fortes. O pelotão de frente é composto pela Sérvia, atual campeã europeia, pela anfitriã Alemanha, a Eslovênia e a tumultuada França. A Bulgária, de Sokolov, corre por fora, assim como a Bélgica, de Sam Deroo, e a Holanda, de Nimir Abdel-Aziz. A República Tcheca é o menos cotado.

Assim como no caso da América do Sul, em que torço por um, mas acredito mais em outro, aqui cruzo os dedos pela Eslovênia, que desde 2015 tem chamado a atenção, ganhando a simpatia de torcedores mundo afora. Objetivamente, a Sérvia tem tudo para ficar com a vaga. O técnico Slobodan Kovac, que já treinou o Irã e a Eslovênia, substituiu o colega Nikola Grbic após o time perder para a Itália no pré-olímpico disputado em agosto. Kovac, aprovado pelos principais nomes da equipe, aparou as arestas e os levou ao título europeu, batendo os anfitriões franceses e contendo o ímpeto dos ascendentes eslovenos. É o mais equilibrado de todos os qualificatórios e acho que a Sérvia leva a melhor.

Vanessa Kiyan: França
É uma seleção, como o Cacá Bizzocchi comentou, em decadência. Os últimos resultados dos franceses foram frustrantes. Há a se considerar ainda o ambiente interno, um dos mais tensos. Eles saíram de forma precoce da Rio-2016 (ainda bem, senão teria sido a gente!), acredito que a eliminação na primeira fase ainda esteja engasgada na garganta dos Bleus.

Em relação às outras forças da Europa, a Bulgária perdeu a grande chance de voltar aos Jogos no qualificatório disputado em casa, quando abriu 2 a 0 sobre o Brasil. A Eslovênia tem sido uma surpresa nos torneios continentais. A Sérvia vem de um título europeu, não esteve na Rio-2016 e, certamente, não quer ficar fora mais uma vez. Ainda tem a Alemanha, que joga em casa e tem um oposto do nível de Georg Grozer, um dos grandes matadores do voleibol mundial. Mas eu ainda aposto na camisa francesa.

 

Eslovênia tem obtido bons resultados na Europa nos últimos anos

 

ÁSIA
Quando: A partir do dia 7
Onde: Jiangmen (China)
Participantes: Austrália, Irã, China, Cazaquistão, Taiwan, Coreia do Sul, Índia e Catar

Cacá Bizzocchi: Irã
O Pré-Olímpico da Ásia é um torneio equilibrado, talvez a Austrália faça a final com o Irã, a China pode surpreender por jogar em casa e ter feito um Pré-Olímpico muito bom, mas com equipes medianas. Aposto no Irã pela experiência do elenco, pela campanha, por estar disputando a Liga das Nações, o Mundial, sempre ali no bloco, senão o principal, pelo menos o intermediário.

Sidrônio Henrique: Austrália
O Irã entra como favorito, sem dúvida, mas convém lembrar seu histórico de vacilos nas horas decisivas. O próprio levantador Saeid Marouf, incensado por sua habilidade, costuma cair de rendimento nos momentos cruciais de partidas importantes. Os iranianos tentam há anos, sem sucesso, entrar para a elite. Eventualmente avançam de fase em alguns torneios globais, mas sempre beneficiados pela ausência de titulares nos adversários (Liga das Nações 2019) ou por uma combinação de resultados improváveis (Mundial 2014).

A China joga em casa, vem treinando há meses e em agosto quase surpreendeu argentinos e canadenses. É bom prestar atenção no limitado mas organizado time chinês, comandado pelo competente Raul Lozano.

E temos a esforçada Austrália… que agora vem com o reforço dos mísseis do oposto Thomas Edgar. Sem ele, a equipe fez boas apresentações na Liga das Nações. Com ele ainda fora de forma, ganhou uma e perdeu outra dos iranianos, jogando em Teerã, no Campeonato Asiático. Agora Edgar está quase 100%, segundo seu técnico, Mark Lebedew. É pagar pra ver… Vou de Austrália, apesar do favoritismo do Irã.

Vanessa Kiyan: Irã
Embora não tenham feito uma boa Copa do Mundo, considero o Irã a seleção mais forte da Ásia. Eles vêm de uma boa participação na Liga das Nações, quando chegaram às finais, foram campeões continentais… E têm um dos levantadores mais geniais dos últimos tempos, Saeid Marouf. Mas existe um fator extra quadra a se considerar: a recente morte do general Qassim Suleimani. Não sei se esta questão política, que acabou de explodir no Irã, pode afetar psicologicamente o time. Como focar em um campeonato quando a sua família está no meio do caos? A Austrália tem tudo para ser a grande oponente dos iranianos. A China me surpreendeu no pré-olímpico de agosto, quando fez jogos duros com a Argentina e Canadá. Mas a minha aposta é no Irã.

 

Austrália tem tudo para travar briga acirrada com o Irã na Ásia

 

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