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Técnico do Canadá teme volume de jogo argentino na luta pela vaga olímpica

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Após liderar o Canadá nos Jogos do Rio-2016, Glenn Hoag agora busca a vaga para Tóquio-2020 (Fotos: Divulgação/FIVB)

 

Por Sidrônio Henrique
7 de agosto de 2019

 

Qualquer um que tenha visto a seleção masculina da Argentina em ação sabe bem que, embora seu ataque ainda precise de um oposto com maior solidez, a consistência da sua defesa é um desafio para qualquer adversário. Para Glenn Hoag, técnico do Canadá, oponente direto dos hermanos na briga por uma vaga em Tóquio-2020, essa é a maior preocupação.

“A Argentina sempre se destacou pela habilidade, é difícil colocar a bola no chão contra eles. Os caras defendem demais, exigem paciência do adversário. Nós também somos uma equipe que defende bastante, mas os argentinos têm um pouco mais de técnica, um controle de bola impressionante”, disse Hoag num bate-papo exclusivo com o Saque Viagem.

O histórico mostra vantagem dos sul-americanos. Em 18 confrontos em torneios da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), 11 vitórias argentinas. E se o mais recente, na Liga das Nações de 2019, terminou com um triunfo canadense por 3 a 1, o treinador minimiza: “Era a primeira semana, os times ainda estavam se entrosando.”

Hoag elogia os dois levantadores argentinos, Luciano De Cecco e Nicolás Uriarte. “Os dois armadores têm um nível muito alto, distribuem muito bem, quase não erram, são difíceis de se marcar. Imagine poder contar com dois levantadores desse nível”, observou.

 

Volume de jogo da Argentina chama a atenção de Hoag: “Defendem demais, exigem paciência do adversário”

 

PRÉ-OLÍMPICO
De 9 a 11 de agosto, em Ningbo, na China, os anfitriões, os finlandeses, os canadenses e os argentinos disputam uma vaga para as Olimpíadas de Tóquio. Logo no primeiro dia do quadrangular, os dois favoritos se enfrentam, na partida que provavelmente deve definir o campeão.

“Acho que a China vai se apresentar bem em casa, vai ter a torcida a favor. Não sabemos muito sobre a Finlândia, que está com uma equipe bem renovada, estamos estudando o time deles. São só três jogos, é um torneio muito curto, então nossa concentração precisa estar lá em cima”, comentou Hoag.

 

CONTRA-ATAQUE
Aumentar o aproveitamento do bom trabalho do seu sistema defensivo para convertê-lo em pontos é outro aspecto que tem exigido atenção dele. “Estamos treinando muito, de uma forma intensa. Claro que pensamos bastante nos nossos adversários, mas estamos focando naquilo em que precisamos crescer, melhorar o contra-ataque.”

Caso a vaga não venha agora, os canadenses terão uma nova chance em janeiro, no Pré-Olímpico da Norceca (Confederação de Vôlei da América do Norte, Central e do Caribe). Porém, Glenn Hoag não quer pensar nessa hipótese por enquanto. Nem mesmo a menção à volta de alguns astros cubanos, como o central Robertlandy Simon, o oposto Michael Sánchez e o levantador Raydel Hierrezuelo, o fez falar sobre a disputa regional. “Quero a classificação agora”, enfatizou. Em 2016, quando o sistema qualificatório era diferente, o Canadá caiu, em casa, diante de uma seleção cubana recheada de juvenis e por 3 a 0. Mais tarde, garantiu um lugar na Olimpíada do Rio no Pré-Olímpico Mundial.

 

Canadenses disputam a vaga olímpica contra Argentina, China e Finlândia

 

SELEÇÃO
Desde 2010 à frente do Arkas Spor, da Turquia, Glenn Hoag havia deixado, por vontade própria, o comando da seleção canadense após as Olimpíadas do Rio-2016, quando o time chegou às quartas de final. Assumiu uma equipe desacreditada em 2006 e, no final daquela década, começou a trabalhar com um grupo promissor de juvenis que incluía os ponteiros Nicholas Hoag, seu filho, e Gord Perrin, reforço do Sada Cruzeiro para a temporada 2019/20. Contava ainda com jogadores mais experientes, como o oposto Gavin Schmitt e o ponta Fred Winters, ambos com passagens por clubes brasileiros. O Canadá evoluiu e passou a incomodar as potências. A classificação para a Rio-2016, após 24 anos ausente dos Jogos Olímpicos, foi o ápice dos seus 10 anos no comando da seleção.

Recomendou o francês Stephane Antiga, que havia levado a Polônia ao título de campeã mundial em 2014, para substitui-lo a partir de 2017. O colega conseguiu um bronze na Liga Mundial daquele ano, nas finais disputadas em Curitiba (PR). Anunciou este ano que deixaria o cargo, dedicando-se apenas ao Onico Warszawa, clube que treina na Polônia.

“Diante das circunstâncias, do pouco tempo até Tóquio-2020, a Volleyball Canada (organização que administra o vôlei naquele país) achou que a melhor opção seria a minha volta, então retornei. Já conheço todos os atletas e, por causa do tempo curto, não posso mudar muito, tenho que me concentrar nesse grupo. Imagine se chegasse um cara novo, com conceitos muito diferentes, uma outra cultura… Talvez o choque reduzisse nossas chances de ir aos Jogos Olímpicos. Mas o meu contrato vai apenas até 2020”, explicou Hoag, 60 anos, que fora da temporada de clubes na Turquia gosta de se dedicar à pesca esportiva em seu país natal.

 

Campeão mundial pela Polônia, Stephane Antiga virou técnico do Canadá após uma recomendação de Glenn Hoag

 

EXEMPLO
Ex-central, Glenn Hoag fez parte da melhor geração do vôlei canadense. Antes mesmo dos soviéticos declararem o boicote aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, obtendo a adesão automática de outras nações da Cortina de Ferro, sua seleção já havia garantido presença ao vencer, no ano anterior, a forte equipe cubana na Norceca, sem se beneficiar da ausência dos países do leste europeu para receber um convite. Na Olimpíada, terminaram em um honroso quarto lugar. O time, montado a partir de 1977 pelo técnico japonês Ken Maeda, segue sendo um exemplo para os canadenses ligados ao vôlei.

 

 

Hoag começou sua carreira de técnico no início dos anos 1990, na Universidade de Sherbrooke, na província de Quebec, onde nasceu. De lá, seguiu para a liga francesa. Foi assistente da seleção da França de 2001 a 2004, período em que a equipe comandada por Philippe Blain conquistou um bronze no Mundial (2002), uma prata no Europeu (2003) e foi aos Jogos de Atenas-2004.

Embora o voleibol esteja longe de ser uma modalidade popular entre os canadenses, o veterano treinador diz que a presença na Rio-2016 e o bronze na Liga Mundial 2017 ajudaram a dar mais visibilidade. “Diria que o vôlei melhorou sua popularidade entre nós, conquistou um pouco mais de espaço na TV depois da Olimpíada do Rio e do bronze na Liga Mundial. É complicado porque a oferta de esportes às crianças e adolescentes no país é muito grande, então o voleibol tem uma concorrência forte.”

 

Glenn Hoag abraça o filho, o ponteiro Nicholas Hoag, após a eliminação do Canadá na Rio-2016

 

 

Saque Viagem

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