Zé Roberto: “O Brasil tem condições de brigar pelo ouro olímpico”

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Para o treinador da seleção feminina, é “muito bom” que a seleção esteja no grupo da Sérvia (Fotos: Divulgação/FIVB)

 

Por Sidrônio Henrique
15 de janeiro de 2020

 

Tóquio-2020 é logo ali. A seis meses de sua quinta Olimpíada consecutiva à frente da seleção brasileira feminina, o técnico José Roberto Guimarães tem na preservação do físico das atletas sua maior preocupação. “O Brasil tem condições de brigar pelo ouro olímpico. Claro que precisamos ter o time inteiro em forma”, afirma o treinador, em entrevista ao Saque Viagem.

A inquietação sobre eventuais lesões das jogadoras poderia parecer mero protocolo, mas o ciclo 2017-2020 tem sido amargo para a seleção. Depois de um primeiro ano com bons resultados, a equipe patinou em 2018 e em 2019 – com alguns lampejos aqui e ali. As contusões de atletas-chave, fazendo com que elas atuassem longe do ideal ou mesmo se ausentassem, tiveram forte impacto, vide o decepcionante sétimo lugar no Campeonato Mundial 2018. Zé Roberto, que assumiu a seleção feminina em 2003, quer deixar o comando após a Olimpíada de Tóquio em grande estilo. “Com o time completo, nós jogamos de igual para igual com qualquer equipe do mundo”, enfatiza o tricampeão olímpico, ouro com os homens em Barcelona-1992 e com as mulheres em Pequim-2008 e Londres-2012.

O trio formado pela oposta Tandara e pelas ponteiras Gabi e Natália, chamado pelo treinador de “tripé da equipe”, recebe especial atenção. “Tenho acompanhado o que Gabi e Natália estão fazendo em seus clubes na Turquia, assim como a Tandara de perto aqui na Superliga. Elas estão indo bem, isso é importante em um ano olímpico.” O fato de não ter podido contar com as três bem fisicamente ao mesmo tempo afetou os resultados da seleção neste ciclo, diz Zé Roberto, numa frase que repetiu algumas vezes em 2019. Não sem razão.

 

As ponteiras Gabi e Natália, que jogam na Turquia, têm sido monitoradas pelo técnico da seleção feminina

 

GRUPOS EM TÓQUIO
O técnico avaliou como “boa” a chave do Brasil em Tóquio-2020, ressaltando que “o melhor seria cair no grupo mais difícil e ter a possibilidade um confronto mais tranquilo nas quartas (de final)”. A seleção brasileira enfrentará Sérvia, Japão, Coreia do Sul, República Dominicana e Quênia. Do outro lado, numa das chaves mais fortes da história do voleibol feminino nas Olimpíadas, estão Itália, China, Estados Unidos, Rússia e Turquia, com a Argentina como azarão. Os quatro primeiros de cada grupo avançam às quartas de final, quando os primeiros enfrentam os quartos colocados, enquanto os segundos encaram os terceiros.

“É muito bom que a Sérvia, atual campeã mundial, esteja no nosso grupo, vai ser o nosso parâmetro na fase de classificação”, comenta sobre o time que venceu também as duas últimas edições do forte Campeonato Europeu. Ele destaca ainda o fator torcida a favor das japonesas, relembra a derrota para a Coreia do Sul na Copa do Mundo 2019 e a dificuldade para superar, em cinco sets, a República Dominicana no Pré-Olímpico.

“Qualquer que seja a colocação do Brasil na primeira fase, sabemos que as quartas de final serão complicadas. Mas um resultado não tão bom inicialmente pode ser revertido. Os campeões de Londres-2012 e Rio-2016 haviam ficado em quarto lugar em suas chaves”, exemplifica, citando as campanhas de Brasil e China, respectivamente, nas últimas edições dos Jogos Olímpicos.

 

Brasileiras caíram na mesma chave da República Dominicana, Sérvia, Coreia do Sul, Japão e Quênia

 

NOMES
Zé Roberto tem a equipe ideal em sua cabeça, mas não fala em nomes, além das já citadas Gabi, Natália e Tandara, as três principais atacantes de bolas altas. Perguntado se alguma jogadora da Superliga que tenha tido pouco espaço ou mesmo nenhuma chance na seleção neste ciclo poderia ir aos Jogos Olímpicos, ele foi, como era de se esperar, taxativo: “Não vou nem cogitar nomes agora.”

 

LIGA DAS NAÇÕES
A disputa da Liga das Nações, competição anual da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) que substituiu o Grand Prix a partir de 2018, é essencial na preparação, mas o técnico ainda não definiu como seria um eventual rodízio entre as atletas. O temor do desgaste o faz ser cauteloso. “Jogaremos as duas primeiras etapas no Brasil, depois vamos para a China, então Polônia e finalmente Coreia do Sul. Se nos classificarmos para as finais, voltamos à China. É preciso ter cuidado para evitar sobrecarga.”

 

 

Com a presença de 16 equipes, todas se enfrentam na Liga das Nações ao longo de cinco semanas, em quadrangulares disputados cada um em três dias. Como país-sede, a China tem presença garantida nas finais. Juntam-se a ela as cinco melhores seleções. “O torneio termina duas semanas e meia antes do início da Olimpíada. Temos que refletir muito sobre como utilizar as atletas, planejar bastante, mas só vou fazer isso quando conhecer o regulamento. No ano passado, por exemplo, pudemos inscrever 25 atletas. Será que vai ser assim novamente? Para definir quem e em quantas etapas estarão precisamos ter a confirmação do regulamento da FIVB”, ponderou. Dez das 16 seleções da Liga das Nações estarão em Tóquio-2020, cuja cerimônia de abertura está marcada para 24 de julho – o vôlei começa no dia seguinte.

 

Zé Roberto só vai definir sobre a participação das atletas na Liga das Nações após a divulgação do regulamento do torneio

 

PRÉ-OLÍMPICO
Zé Roberto acompanhou de perto o Pré-Olímpico Europeu, em Apeldoorn, na Holanda. Nada que viu por lá o impressionou, mas gostou do poder de reação da Turquia, que foi levada às cordas várias vezes e terminou com a única vaga. “Elas (turcas) no geral jogaram dentro do esperado. Diria que a oposta (Meryem) Boz e a líbero (Simge) Akoz ficaram acima das demais. Na semifinal, contra a Polônia, a Boz fez 14 pontos no quarto set e seis no tie-break”, destaca o treinador. A oposta turca somou 36 pontos naquela partida em que sua seleção salvou cinco match points no quarto set. “A Alemanha foi muito mal na final, especialmente no saque e no passe, mas há o mérito da Turquia, que se impôs”, observa.

Durante o torneio, o brasileiro trocou ideias com o técnico do time turco, o italiano Giovanni Guidetti. “Sugeri a ele após a partida contra a Bélgica que começasse com a (levantadora) Naz Aydemir em vez da (Cansu) Ozbay. Embora a Naz não tenha sido titular contra a Polônia até o terceiro set, fez a diferença justamente na reta final. Depois começou jogando na decisão diante da Alemanha e foi muito bem de novo.” Naz Aydemir foi atleta de Zé Roberto por duas temporadas, de 2010 a 2012, no Fenerbahçe.

O treinador chegou ao Brasil nessa segunda-feira (13) e voltou a comandar o São Paulo FC/Barueri, atualmente sétimo colocado na classificação da Superliga 2019/2020.

 

Giovanni Guidetti seguiu uma sugestão de Zé Roberto durante o Pré-Olímpico Europeu

 

 

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