Zé Roberto: “Tóquio é a minha última Olimpíada”

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Treinador é o único a vencer Olimpíada com seleções feminina e masculina no vôlei (Fotos: Divulgação/FIVB)

 

Por Sidrônio Henrique e Vanessa Kiyan
19 de julho de 2019

 

Único tricampeão olímpico do Brasil, o técnico da seleção feminina de vôlei, José Roberto Guimarães, afirmou nesta sexta-feira (19) ao Saque Viagem que Tóquio-2020 será sua última participação em Jogos Olímpicos e que após o evento deixa o cargo. “Já está decidido”, completou.

O treinador, também o único a vencer Olimpíadas tanto com uma equipe masculina quanto uma feminina e ainda detentor isolado do tricampeonato olímpico como técnico na modalidade, atravessa um ciclo tumultuado rumo aos Jogos de Tóquio, com lesões e resultados às vezes pouco expressivos. Ele está no comando da seleção feminina desde 2003.

Zé Roberto vinha se queixando das críticas constantes. “Muita gente que nunca ganhou nada, nunca competiu, nunca dirigiu um time, nunca treinou ninguém se dá o direito de criticar”, declarou ao site no final de maio deste ano.

 

 

BRIGA PELO OURO
“Pelo que vi, se o Brasil estiver completo, a gente briga pelo ouro no ano que vem. Existem times que estão um pouco acima, como China, Sérvia e Estados Unidos, mas as outras seleções estão mais ou menos ali. Tudo pode acontecer”, disse ao Saque Viagem, sem citar a Itália, atual vice-campeã mundial.

“Este é um ano importante, a gente tem que montar a cara da equipe que vai disputar os Jogos Olímpicos. Não dá para descartar quem jogar bem na próxima Superliga, mas é importante já começar a montar desde agora. Nesses três anos do atual ciclo, não consegui colocar o tripé que eu gostaria de contar, que é Gabi, Natália e Tandara juntas. Em 2017, a Gabi não jogou, e a gente ganhou três competições e fomos vice em uma. Em 2018, a Natália não jogou, ficamos em quarto na Liga das Nações e em sétimo no Mundial, foi o nosso pior ano. Em 2019, fomos vice da Liga das Nações e a Tandara não jogou. Elas hoje são pontos de força. Com a maturidade e a qualidade que elas têm não é fácil substituir”, ponderou.

 

Natália é considerada por Zé Roberto um pilar importante da seleção para os Jogos de Tóquio-2020

 

OTIMISMO
“A gente está sentindo uma disparidade entre essas atletas que jogaram as Olimpíadas de 2012, de 2016 para agora. Acho que, se todos os times da Superliga se envolvessem no processo de desenvolver a base, isso não aconteceria. Porém, independentemente da colocação que nós vamos ter no Mundial Sub-20, e a gente ficou fora dos quatro primeiros lugares, vejo uma geração talentosa. Nós jogamos este Sub-20 com três meninas do Sub-18. A Ana Cristina, que é titular na ponta, tem 15 anos. É um investimento, é um processo de aprendizado, de amadurecimento”, comentou Zé Roberto sobre o futuro do voleibol feminino no País.

“Estamos no caminho certo. Várias jogadoras com 1,90m, 1,89m… Isso é bom. Eu não vejo pelo resultado: ganhamos de 3 a 0 da Rússia, perdemos de 3 a 2 para a China, perdemos de 3 a 0 para a Itália. Analiso a perspectiva de futuro, de jogar de igual para igual com estas seleções que têm jogadoras altas e fortes, as Egonus da vida, as Boskovics da vida. Esse processo me deixa feliz”, comemorou.

 

Para o treinador, geração da seleção Sub-20 deve representar o Brasil nas Olimpíadas de 2024 e 2028

 

Zé Roberto prosseguiu com a análise sobre as juvenis. “São altas e talentosas, precisam treinar, jogar. Vão perder e vão ganhar. São atletas que têm uma boa estrutura física e já estão partindo para uma qualidade técnica. Eu não vou estar mais (na seleção), mas vislumbro o Brasil com um legado para as Olimpíadas de 2024 e de 2028 para chegar entre as melhores do mundo. Só vejo coisas boas.”

Perguntado pelo Saque Viagem se o entusiasmo com a nova geração não o faria ficar além de Tóquio-2020, ele enfatizou: “Não, Tóquio é a minha última Olimpíada.”

 

HISTÓRICO
Os três ouros olímpicos de Zé Roberto foram conquistados em Barcelona-1992 (masculino) e em Pequim-2008 e Londres-2012 (feminino). Com os homens, foi eliminado nas quartas de final em Atlanta 1996. Já com as mulheres, em Atenas-2004, viveu uma das maiores tragédias esportivas do Brasil, a derrota para a Rússia na semifinal, depois de estar vencendo por 2 sets a 1 e desperdiçar sete match points – a equipe terminaria a competição em quarto lugar. Disputando uma Olimpíada em casa, na Rio-2016, viu o time ser eliminado nas quartas de final.

Comandou a seleção em quatro Campeonatos Mundiais. Foi prata em 2006 e 2010, perdendo ambas as decisões em cinco sets para a Rússia de Gamova e Sokolova. Em 2014, com o Brasil sendo amplo favorito, terminou com o bronze. No mais recente, em 2018, amargou o sétimo lugar, a pior colocação desde a edição de 2002, sendo que aquela equipe do início da década passada, sob o comando de Marco Aurélio Motta, não contava com as principais jogadoras da época.

Este ano, Zé Roberto conduziu a seleção ao vice-campeonato da Liga das Nações. O time treina atualmente para a disputa do Pré-Olímpico. Depois, ainda participará dos Jogos Pan-Americanos, do Campeonato Sul-Americano e, fechando a temporada, da Copa do Mundo.

 

Ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim foi o primeiro com a seleção feminina

 

 

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