Sheilla e Fabiana disputam Sul-Americano e Copa do Mundo

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Fabiana e Sheilla estão treinando com a seleção desde o início do mês (Fotos: Divulgação/FIVB)

 

Por Sidrônio Henrique e Vanessa Kiyan
22 de julho de 2019

 

O retorno delas à seleção causou surpresa. Passado o espanto inicial e depois de três semanas no centro de treinamento da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), em Saquarema (RJ), a oposta Sheilla Castro, 36 anos, e a central Fabiana Claudino, 34, bicampeãs olímpicas, já têm data para voltar a representar o Brasil. Elas farão parte da equipe que vai disputar o Campeonato Sul-Americano, no Peru, e a Copa do Mundo, no Japão. A informação foi dada ao Saque Viagem pelo técnico José Roberto Guimarães.

O Sul-Americano, competição que o Brasil ganhou 20 vezes em 31 participações e na qual não perde um set desde 1999, será realizada de 28 de agosto a 1º de setembro, em Cajamarca, no Peru. A Copa do Mundo, de 14 a 29 de setembro, será em cinco cidades japonesas.

“Elas não vão para os Jogos Pan-Americanos. Elas começaram a treinar agora, a gente precisa ter calma com elas. A Sheilla já está treinando com bola, mas não está saltando ainda, a Fabiana também não está saltando. Na realidade, eu pretendo contar com as duas no Sul-Americano. Primeiro, vamos ver como elas vão participar. Depois, ver como elas vão estar na Copa do Mundo”, disse ao site o treinador tricampeão olímpico.

 

 

RIO-2016
Sheilla e Fabiana, que começaram a servir à seleção adulta no início da década passada, não vestem a camisa verde e amarela desde a eliminação nas quartas de final da Rio-2016. Aquela partida, derrota por 3 a 2 para a China, foi a última da oposta, que desde então deixou as quadras, engravidou e hoje é mãe de gêmeas. A meio de rede seguiu com sua carreira em clubes, mas, na Superliga passada, seu rendimento esteve abaixo do que normalmente apresentava.

“Temos que ver como reagem, elas precisam entender tudo isso. A Sheilla está com duas filhas, ela se comprometeu (a voltar), a Fabiana também se comprometeu. Eu vou bater naquela tecla: a gente tem que dar oportunidade para todo mundo. Eu sempre lamentei o fato de elas terem parado (na seleção) muito cedo. Jogadoras com 34, 36 anos, você não pode dizer que é uma jogadora velha, elas são jogadoras que sempre se cuidaram”, argumentou Zé Roberto.

O treinador recorre a um exemplo de outra modalidade. “O (tenista Roger) Federer está jogando muito e tem 37 anos. Elas são jogadoras que são longevas, tecnicamente são muito boas e vai depender do que elas sentirem em relação à seleção, a estarem disponíveis. É um processo difícil, é Saquarema, é treinamento, é estar longe da família.”

 

A última participação de Sheilla e Fabiana na seleção foi na Rio-2016

 

OUTROS EXEMPLOS
De fato, mesmo no voleibol é possível encontrar exemplos, até com idade um pouco mais avançada. Este ano, a ponteira italiana Francesca Piccinini, 40 anos, conquistou sua sétima Liga dos Campeões da Europa. O ponta russo Sergey Tetyukhin e o líbero brasileiro Serginho disputaram a Rio-2016 prestes a completar 41 anos – o último foi MVP, ainda que a escolha tenha causado alguma controvérsia e parecesse mais um prêmio pelo conjunto da brilhante carreira que ele teve. De qualquer forma, os casos de Piccinini, Tetyukhin e Serginho são exceções e não regra. Isso não invalida a tentativa com Sheilla e Fabiana. Porém, é importante ter em mente que a primeira não joga há três anos e a outra está longe da melhor forma. As duas estão em Saquarema desde 1º de julho.

Zé Roberto analisou as primeiras semanas de treinamento de Sheilla Castro. “Ela sabe do jogo, se posiciona bem, toca bem na bola, tem as informações, nada fugiu. A Sheilla é uma jogadora que sempre se cuidou fisicamente, sempre esteve magrinha, sempre atenta ao jogo. Enquanto as jogadoras vão para a água, ela fica tentando melhorar o saque, aprimorar os golpes. Sempre foi assim. O que nós precisamos tomar cuidado com ela é o físico, ela precisa ficar mais forte. É preciso cuidar da parte física para retornar à melhor forma que ela já teve. Agora, tecnicamente não tem nada o que ensinar pra ela.”

 

Sheilla está com 36 anos, enquanto Fabiana tem 34

 

PRÉ-OLÍMPICO E PAN
Antes do Sul-Americano, o time disputa uma vaga para Tóquio-2020 no torneio Pré-Olímpico que será realizado em Uberlândia (MG), de 1º a 3 de agosto, contra República Dominicana, Azerbaijão e Camarões. De 7 a 11 de agosto, é a vez do vôlei feminino nos Jogos Pan-Americanos, em Lima, capital peruana. Serão oito equipes divididas em dois grupos. A chave do Brasil tem Estados Unidos, Argentina e Porto Rico. O outro grupo conta com República Dominicana, Canadá, Colômbia e Peru. Os dois primeiros de cada chave avançam às semifinais. Na última edição, em 2015, a seleção brasileira ficou com a prata, perdendo a final para os EUA. As dominicanas conquistaram o bronze.

As listas com as convocadas para o Pré-Olímpico e o Pan ainda não foram divulgadas pela CBV. Apenas os nomes da oposta Lorenne e das levantadoras Macris e Juma foram confirmados pelo técnico Zé Roberto na equipe que irá ao Peru.

 

Zé Roberto ainda não divulgou a lista de jogadoras convocadas para o Pan e o Pré-Olímpico

 

 

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